O que os jovens gaúchos pensam sobre carreira, trabalho e futuro?
Escolher uma profissão, entrar no mercado de trabalho e pensar no futuro são desafios que fazem parte da vida de muitos jovens. Mas o que eles esperam do mundo do trabalho? O que influencia suas escolhas? Quais são suas principais dúvidas e dificuldades? E como enxergam o papel da escola e da indústria na construção de seus caminhos?
Para compreender essas questões, o Instituto SESI de Formação de Professores realizou a pesquisa Perspectivas dos Jovens no Mundo do Trabalho – 2025, que ouviu 1.136 estudantes de 15 a 29 anos da rede pública estadual do Rio Grande do Sul.
Realizada em maio de 2025, a pesquisa quantitativa buscou compreender como esses jovens percebem o mundo do trabalho, fazem suas escolhas profissionais e enxergam suas possibilidades de futuro. Foram considerados estudantes do 3º ano do Ensino Médio regular e da Educação Profissional.
Estudar continua sendo prioridade
Os dados mostram que a maioria dos jovens pretende continuar estudando depois da escola: 72,9% afirmam que desejam fazer faculdade, curso técnico ou cursos livres. Entre eles, 52,47% apontam a faculdade como próximo passo, enquanto 13,02% pretendem fazer um curso técnico e 7,41% indicam curso ou estágio.
Outros 19,09% pretendem começar a trabalhar ou empreender, enquanto 6,59% ainda não sabem o que farão depois da escola.
Na hora de escolher uma carreira, o jovem ainda conta pouco com a escola
Apesar de a escola ser um espaço de formação, apenas 3,4% dos estudantes consideram que ela teve papel decisivo na escolha de sua profissão. A iniciativa própria aparece como a principal influência nas decisões de carreira, seguida pelo incentivo de familiares.
Ao mesmo tempo, 65,8% dos jovens afirmam contar com algum tipo de apoio para decidir seu futuro. Ainda assim, os dados mostram que essa orientação nem sempre é suficiente: 80,7% dizem receber algum apoio, mas ainda têm muitas dúvidas.
A relação entre escola e mundo do trabalho também aparece como um ponto de atenção. Para 58,31%, a escola oferece pouca profundidade nas experiências relacionadas a profissão, carreira e futuro. Outros 33,98% identificam uma presença pontual desse tema, enquanto 7,71% afirmam que a escola nunca falou sobre profissão, carreira ou futuro.
Experiência também conta
Na busca pelo primeiro trabalho, os jovens enxergam a combinação entre formação e experiência prática como importante. A vivência real aparece como um dos fatores mais decisivos, seguida pela formação técnica e por um bom currículo.
Os estudantes também reconhecem habilidades que precisam desenvolver para enfrentar os desafios profissionais. Entre as principais estão comunicação, organização, tomada de decisões e aprendizagem diante de mudanças, além de habilidades cognitivas, tecnológicas e colaborativas.
O que eles esperam de um trabalho?
Quando pensam no trabalho ideal, os jovens valorizam principalmente remuneração, possibilidade de crescimento, segurança e estabilidade. Também buscam ambientes em que sejam respeitados, possam colaborar e tenham espaço para ideias e inovação.
A pesquisa mostra, portanto, que as expectativas combinam elementos tradicionais, como estabilidade financeira, com características associadas às novas relações de trabalho, como criatividade, colaboração e tecnologia.
E a indústria? Uma oportunidade ainda pouco conhecida
A indústria também aparece nos planos profissionais dos jovens, mas existe espaço para ampliar essa aproximação. A pesquisa identificou diferentes níveis de contato com o setor. 27,66% têm alguém da família que trabalha ou já trabalhou na indústria e 16,13% têm amigos ou conhecidos que atuam no setor. Por outro lado, 9,77% afirmam nunca ter tido qualquer tipo de vínculo ou aproximação com a indústria.
Quando perguntados sobre trabalhar na indústria, 21% demonstram interesse e gostariam de aprender mais sobre o setor. Outros 28,8% afirmam que talvez se interessassem se conhecessem melhor as oportunidades existentes. Somados, os dados indicam que metade dos jovens poderia considerar a indústria como possibilidade profissional a partir de maior contato com informações e experiências reais.
Mais do que escolher uma profissão, é preciso construir caminhos
Os resultados ajudam a mostrar que os jovens não estão apenas em busca de uma profissão. Eles querem conhecer possibilidades, experimentar, desenvolver habilidades e ter apoio para tomar decisões sobre o futuro.
A pesquisa aponta caminhos para essa construção: aproximar a escola do mundo do trabalho, ampliar experiências práticas, fortalecer a orientação profissional, desenvolver habilidades como comunicação e tomada de decisão e criar mais oportunidades de contato entre jovens e empresas.
Para os setores produtivos, isso significa abrir espaço para visitas, mentorias, projetos e experiências práticas, além de apresentar as diferentes possibilidades de carreira de forma mais próxima da realidade dos jovens. Para as redes de ensino, significa integrar a orientação profissional à formação e criar conexões com o mundo do trabalho local.
Conhecer o que os jovens pensam é um passo importante para construir oportunidades mais conectadas às suas expectativas, aos desafios do presente e às necessidades do futuro.
Pesquisa Perspectivas dos Jovens no Mundo do Trabalho – 2025
Realização: Instituto SESI de Formação de Professores | Sistema FIERGS
Pesquisa quantitativa realizada com 1.136 estudantes de 15 a 29 anos da rede pública estadual do Rio Grande do Sul, em maio de 2025.
